quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Convidada Especial - Diana Freitas



          Pessoal, dessa vez consegui convencê-la a pelo menos escrever um texto para meu blog contando alguma coisa bem bacana sobre a França. Com vocês, minha amiga, irmã, ombro amigo e o que mais vier para agregar: Diana Freitas! (o texto sofreu pequenas alterações para adaptação ao blog. Para ler o texto na íntegra, encham o saco para ela reativar o blog dela de novo!)


           "Como todos sabem, a França é um país conhecido essencialmente pela sua cultura, moda, culinária e monumentos. E o que falar dos monumentos? Entre os inúmeros que podemos encontrar por aqui, destaca-se uma quantidade incontável dos mais incríveis castelos (os châteaux).
           Eu moro na França há 6 anos, e neste tempo tive a oportunidade de visitar alguns dos mais belos castelos franceses. Como arquiteta, e curiosa, adoro investigar o que está por trás das estruturas e principalmente das histórias que testemunharam a construção e consolidação do que foi um dia um grande império. E uma das histórias que mais me chamou atenção foi a do Château de Vaux-le-Vicomte.
Château de Vaux-le-Vicomte
           O domínio onde se situa esse castelo foi comprado por Nicolas Fouquet, superintendente de finanças de Louis XIV em 1641, mas a inauguração do castelo só ocorreu em 1661, quando Fouquet recebeu o Rei e toda a corte francesa numa gigantesca festa que bombou para 3 mil convidados. Dizem as más línguas que foi nessa festa que o Rei, invejando o deslumbre daquele castelo divino, mandou prender o tal superintendente. Imagina se alguém poderia ousar construir um castelo mais bonito e suntuoso que o seu?! Mas segundo fontes mais oficiais, a decisão já teria sido tomada 4 meses antes (hum, sei...), pois o Rei suspeitava que Fouquet andava passando a mão no orçamento real (e inclusive em alguns livros da realeza: algo como 11 milhões!), o que teria sido apenas confirmado naquela ocasião. A mãe do Rei, muito nobre e educada (ela era de origem espanhola e não francesa), teria declarado que não era honroso para um rei de mandar prender a pessoa que o recebe como convidado.
           O coitado do Fouquet foi então preso cerca de 15 dias depois da tal festa e, após um processo que durou 3 anos, foi condenado e passou os 15 últimos anos da sua vida na prisão (reza a lenda que ele ficou encarcerado no mesmo local e época que o “Homem da Máscara de Ferro”).
Palácio de Versailles
           O Rei Sol ordena então aos mesmos arquitetos e artistas que trabalharam na execução do Vaux-le-Vicomte que lhe fizessem um castelo ainda maior, mais lindo e mais porpurinado que aquele outro das inimigas (assim ele podia se livrar do velho Château de Saint- Germain-en-Laye, onde ele nasceu e viveu durante sua juventude, e o qual ele achava feio, bobo, chato e frio)! E voilà, assim nasceu o Château de Versailles.
        



Château de Saint-Germain-en-Laye
        E eu não canso de repetir, para o maior desespero deste Rei avarento que a cada vez deve se revirar no seu caixão, que se as pessoas (turistas ou até mesmo os franceses) tiverem a oportunidade, devem ir conhecer o Château de Vaux-le-Vicomte, pois ele é ainda mais belo que o de Versailles, e a sua beleza pode ser contemplada a uma escala muito mais humana."

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Diário de bordo - França - Dia 03

Nós em Trocadero
          Mesmo exaustas, acordamos cedo para aproveitar as últimas horinhas juntas. Primeira parada: Trocadero. Neste local, pode-se ver perfeitamente a Torre Eiffel e tirar muitas fotos. É um ponto turístico bem cheio e bem lindo. Descemos pelo jardim e pegamos o ônibus com o mesmo tíquete do metrô. Voltamos para o bairro de Montparnasse onde fica a estação de trem que pegaríamos para ir para a casa da Karla. 
   
A caminho de Saint Nazaire, dentro do trem
        

  

          Almoçamos em um restaurante que era uma graça, uma rede chamada Hipopotamus com um menu bem saboroso. Comi um filé delicioso e de sobremesa uma mousse de chocolate divina. Como o serviço atrasou um pouquinho, saímos correndo as 3 para dar tempo de pegar o trem. Conseguimos entrar e por incrível que pareça, nosso vagão era o último. Ou seja, na adrenalina, fomos entrando de vagão em vagão, passando por dentro de alguns, até chegarmos no nosso lugar. O trem era bem legal e foi bem vazio. Como estávamos exaustas, dormimos a maior parte do tempo, mas mesmo assim, ainda consegui acompanhar um pouco a passagem por algumas cidades no meio do caminho e garanto: tudo muito lindo. Uma chuvinha aqui e ali e chegamos enfim a Saint Nazaire.

Rua da casa do Laurent e da Karla
          Laurent já estava esperando a gente na estação e nos levou até a casa deles. A cidade onde eles moram é muito linda também, muito tranquila, parece coisa de filme. Umas casinhas, pouco carro na rua e um tal de um avião de carga que transporta as peças de montagem da Airbus. A cidade é basicamente industrial (me desculpem se houver algum equívoco de informação) e muito bem estruturada. Fomos de carro até Nantes, onde parece que tem uma vida comercial mais agitada. Passeamos por uma região que tinha umas esculturas feitas com reciclagem que eram a coisa mais linda do mundo. Um carrossel e um elefante que funcionam e carregavam crianças para um breve passeio. Jantamos em um japonês sensacional, na beira de um rio, com um visual incrível, em comemoração ao emprego novo do Laurent. Caminhamos até um cais à beira desse rio e chegamos onde havia vários bares, que estavam cheio de gente. Sentamos em um com temática cubana e tomamos um drink. Voltamos pra casa e ficamos de bobeira batendo papo e matando as saudades. Bebemos vinho.

video



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Diário de bordo - França - Dia 02

Nossa primeira foto de muitas
          Acordamos cedinho, afinal de contas estávamos em Maisons Laffitte e o trem da Karla chegava antes das 9:00 em Montparnasse e demoraríamos um pouquinho ainda para encontrá-la. Como nem só de pão vive o homem e não seria a gente se não tivesse um pouco de adrenalina, Diana tinha um compromisso e não poderia me levar até onde a Karla estaria me esperando. Como só as duas estavam com celular, ficou combinado para mim que eu esperaria a Karla em frente a Starbucks da estação e para a Karla ficou combinado que eu estaria esperando ela no Quick da estação. E foi aí que deu-se a celeuma. Por algum motivo as mensagens que definiriam um único ponto de encontro para as duas não chegaram a tempo no celular. 

          Para mim, uma emoção a parte, já que eu estaria sozinha, eu e Deus, tentando chegar até a Karla. Soma-se tudo isso a língua francesa, a qual eu não domino. No meio do caminho, ainda no metrô, passamos em frente a Torre Eiffel. Foi muito emocionante quando a vi pela primeira vez. A certeza que eu estava realmente na França.
         
Nosso almoço no indiano
          Cheguei enfim a Montparnasse e desci na estação. Andei um pouquinho e cheguei até a Starbucks. Outra emoção. Cheguei na Starbucks sozinha, sozinha, não precisei perguntar pra ninguém! Nada da Karla. Pensei: o trem deve ter atrasado, vou ficar quietinha aqui esperando. 10 minutos. Nada da Karla. Resolvi sentar e esperar. Abri o mapa da cidade. Refiz todo o caminho no mapa, caso precisasse voltar pra casa da Diana sem ter encontrado ela e a Karla. Sou neurótica, eu sei, mas já estava me precavendo. 20 minutos, nada da Karla. Pensei: gente, deve ter outro Starbucks nessa estação gigante, vou dar uma volta para dar uma olhada. Ao mesmo tempo pensei: se eu saio daqui e ela aparece e depois vai me caçar em algum lugar, ferrou. Dei uma volta e subi um andar de escada rolante. Uma Fnac. Nada de Karla e internet móvel. Voltei para a Starbucks. Sentei. As pessoas começaram a olhar pra mim estranhamente. Quando começou um vai e vem de gente do Exército na estação, comecei a ficar um pouco apreensiva. Pensei: daqui a pouco esse pessoal da Starbucks vai mandar me investigar. 30 minutos e nada de Karla.

          Subi novamente. "Não é possível! Tem outro Starbucks nessa caceta!". Ao mesmo tempo, tá ela lá no tal do Quick me xingando horrores. Nada de Karla de novo. Voltei para o Starbucks e pensei: cara, ela veio aqui nesse meio tempo, não me viu e saiu pra me caçar. Sou neurótica, principalmente quando estou nessas aventuras. Fiquei mais uns 10 minutos e resolvi explorar o local. Além do primeiro andar, subi mais um e vi quem de costas?! Saí correndo e gritando "Piri" (apelido carinhoso entre a gente). E foi aquela confusão, aquele abraço apertado, aquilo tudo que vocês já devem imaginar.

Nossa bateção de perna
          Saímos da estação e fomos dar uma volta na rua. Fomos até a Galerie Lafayette que fica ali perto e demos uma volta. Fomos até a Zara um pouco mais adiante. Depois demos uma volta na rua até o final e voltamos para encontrar a Diana. Almoçamos num restaurante indiano maravilhoso, onde o menu custava 10 euros (barato para os padrões locais). Depois fomos até a igreja de Notre Dame fazer uma visita. Eu e Diana entramos. Karla, que já está até o topo de ver igreja pelo mundo, preferiu aguardar do lado de fora, fazendo amizade com os locais. Andamos, andamos e andamos. Passamos pelo Sena, paramos para tomar um café em frente ao Centro Georges Pompidou e seguir em frente. 

         


        Seguimos até a Champs-Elysées e chegamos ao Arco do Triunfo. Fizemos a limpa na Sephora de lá e passeamos mais um bocado. Voltando, paramos em um restaurante francês incrível para jantar e eu experimentei escargô. Achei bem bom. De prato principal, pedi um steak tartare que estava divino. Tudo muito bem acompanhado de um bom vinho. Rosé, provavelmente. Se engana quem tem a ideia de que na França as pessoas comem pouco. Durante todos os meus dias, saí dos lugares passando mal de tanto comer. Depois da bateção de pernas, voltamos para a casa de Dianão nos preparar para o dia seguinte, quando eu e Karla partiríamos para Saint Nazaire, onde fica a casa da Karla e do Laurent.




Fachada da Notre Dame

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Diário de bordo - França - Dia 01

          E quando esse bichinho de viajar morde a gente, não tem vacina que cure! Na verdade, em meados do mês de novembro, decidi que meu skill em 2014 seria viajar. Viajar muito e bem. Não importa se é no Brasil, se é perto ou longe de casa, o lance em 2014 era viajar. Sair de casa com uma mala, uma mochila, música no fone de ouvido e ser feliz.

           A decisão começou a funcionar ainda em dezembro de 2013, com a ida a Angra dos Reis (veja postagem anterior) e continuou com uma conversa via email com minha amiga Diana. Eu e Diana somos amigas desde 1994 e tem mais ou menos uns 5, 6 anos que ela foi morar na França. Enviei um email pra ela pra saber se ela podia me receber em maio e tratei de procurar passagem para a viagem.

          Tudo acertado, tudo lindo, marquei 10 dias de férias, 10 dias incríveis na França. Outra amiga nossa, a Karla, também velha conhecida desta que vos fala (somos amigas desde 1996), também havia se mudado para a França e combinamos de nos encontrar e ser felizes pela França. Nem sei qual foi a última vez que as 3 se encontraram para matar a saudade.

          O objetivo da viagem era praticamente esse, matar a saudade dos amores da minha vida, juntando o útil ao agradável e conhecendo um lugar incrível, com hospedagem a 0800 (rs). Com a sorte de ir na época em que as duas estariam na França, marcamos e amarramos nossos 10 dias juntinhas e enchendo o saco uma da outra.

          Confesso que estava um pouco apreensiva por ser a minha primeira viagem internacional de avião sozinha. Apesar de conseguir entender um pouco o francês e dar aquela enganada no inglês, estava preocupada em me perder (coisa que faço com uma certa facilidade) e me enrolar toda para pedir alguma informação, afinal de contas, quando fui a Cuba, pude contar com o apoio e o ombro amigo da Lud e do Ricardo.

Aeroporto de Lisboa
          O voo saiu à meia-noite de segunda-feira e só chegou em Paris às 21:00. Viajei praticamente um dia inteiro, um dia perdido entre conexões, o Mc Donald's do aeroporto de Lisboa e a chegada a Orly. Como Dianão estava trabalhando, não teria como me pegar no aeroporto, mas me ensinou direitinho como eu pegaria o ônibus até a estação de trem para encontrá-la. Na saída do aeroporto, já gastei todo francês que sabia e consegui me enfiar dentro do ônibus. Dentro do ônibus, já gastei mais meia dúzia de palavras em francês para não descer na estação errada.

          Tudo lindo e tudo perfeito, consegui chegar com minhas duas malas na estação e fiquei esperando a Diana aparecer. Cara, foi uma das maiores emoções da minha vida quando ela chegou! Que saudade que eu tava dela! Que realização conseguir chegar sozinha até ali! Compramos um tíquete de uma semana do metrô e fomos para a casa dela, que fica afastada do Centro de Paris, mais ou menos uns 40 minutos de trem. Uma cidade linda, chamada Maisons Laffitte.

          Chegamos em casa, com aquele friozinho gostoso, e aproveitamos para matar a saudade rapidamente, tomarmos um vinho e jantarmos um ratatouille deliciosamente preparado por ela (quando ela saiu do Brasil, não fazia um queijo quente na sanduicheira, que orgulho!) Nos preparamos para dormir e descansar ao máximo, porque o dia seguinte era dia de levantar cedo e bater muita perna com dona Karla!

         

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Diário de bordo - Angra dos Reis

Pose em frente às Botinas
          Por incrível que pareça, morei quase 3 anos em Angra dos Reis e nunca tinha feito qualquer passeio de barco pelos mares angrenses. Só depois que vim movimentada para o RJ, o pessoal que trabalhava comigo organizou um evento de final de ano em um saveiro pela Ilha Grande e as ilhas menores do entorno. Com muita saudade no coração, voltei à cidade para reencontrar os bons amigos que havia deixado na minha despedida.

          O passeio começou no Cais de Santa Luzia e como o grupo era grande, a escuna ficou praticamente pra gente. O combinado era cada um levar alguma coisa para prepararmos um churrasco a bordo. Foi perfeito. Apesar do tempo fechado, o clima estava bem agradável e quando paramos a escuna pela primeira vez na Lagoa Azul, na Ilha Grande, pudemos dar um belo mergulho no mar.

         Voltamos para a escuna e seguimos para a terra firme da Ilha Grande. Fizemos as entregas dos presentes do amigo oculto e os que quiseram comer no restaurante puderam almoçar tranquilamente e aproveitar mais um pouco da praia. Foi o único momento do passeio que abriu o sol. 

          Morar em Angra é diferente de fazer turismo em Angra. Como a cidade é muito diferente do RJ, quem se muda para Angra acaba sentindo falta de muitas estruturas que a cidade não possui. Por exemplo, apenas no segundo ano que já estava lá inauguraram um bom cinema no shopping, que mesmo assim, tinha uma programação muito limitada e as sessões ficavam muito cheias.

Parada na Ilha Grande
          Mas não desanime! Angra dos Reis vale o passeio. As praias destacadas do Centro são uma ótima pedida para os apaixonados pelo sol. Fora do Centro também fica um restaurante maravilhoso, especializado em pastéis. Depois que descobrimos o Bar do Chuveiro, todas as comemorações foram transferidas pra lá. Ele fica aproximadamente a 30 minutos do Centro de Angra, do lado direito (na direção Angra X Paraty), logo após um radar de 60km. E lógico, tem um chuveiro enorme na frente dele.

          Pra quem tem um pouco mais de grana, os resorts também são ótimos. Existem várias opções, vários preços e vários serviços diferentes. Para os dias de calor, o ideal é frequentar os bares do Cais de Santa Luzia ou o Clube Aquidabã, que às quintas-feiras oferece um rodízio de petiscos. Angra fica a 150 km do RJ, o que levaria a uma viagem de 3 horas dirigindo tranquilamente. Se tiver com tempo de sobra, faça paradas no meio do caminho, em cidadezinhas de beira de estrada. Viaje!

 

Diário de bordo - Cuba - Dia 09 e 10

Estátua situada entre a Rua San Ignacio e Cuba Tacón
          Último dia útil e penúltimo na Ilha de Fidel, fizemos todo o caminho com toda calma. Caminhamos nos despedindo de cada rua, de cada rosto, de cada sabor. Perdemos o preconceito de entrar em lugares estranhos para comer e descobrimos um El Paladar na rua da pousada, um pouco mais a frente. Os restaurantes El Paladar são comércios autorizados pelo Governo a serem montados nas residências das pessoas e receberam esse nome em homenagem à novela Vale Tudo, onde o restaurante da Regina Duarte chamava-se Paladar.


Porta da Bodeguita del Medio
          Se você tiver a oportunidade, vá aos El Paladar experimentar o cardápio. Geralmente, não é tão variado quanto restaurantes originais, mas sempre haverá 3 opções de carne e diferentes acompanhamentos, como Morros y Cristianos (uma mistura de arroz com feijão sensacional), banana frita (maravilhosa) e batata doce frita (quanto deliciosa quanto a banana). Os pratos são bem simples, sem preparações muito rebuscadas, mas os sabores sempre serão incríveis.

          Voltamos à praça do outro lado de Havana Velha e ficamos fazendo um longo passeio. Sentamos em um bar para beber mais alguns drinks. Entramos na Catedral para conhecer e passamos em frente à Bodeguita Del Médio, uma bar também muito conhecido. Havana é uma mistura de ares artísticos e políticos muito interessante. Você precisa apenas tomar um pouco de cuidado, porque como em todo lugar, vai ter um espertinho querendo tirar uma graninha extra dos turistas.




         Confesso que no terceiro dia já estava bem irritada com a abordagem deles no meio da rua, puxando assunto e depois oferecendo alguma "vantagem" ou passeio. Mas não desanime de fazer esta viagem por causa disso. Eles são extremamente educados, solícitos e prontos para ajudar a qualquer momento. Lembro que da primeira vez que tentamos encontrar o restaurante chinês indicado no guia, paramos no restaurante ao lado e o maitre que estava na porta nos disse que era o restaurante do lado e em nenhum momento insistiu para que ficássemos no seu estabelecimento.
Catedral de Havana

          Cuba é isso. É paixão antes de chegar, amor ao partir. Tão encantador que já estamos planejando voltar no aniversário da Revolução. Para dicas mais precisas da viagem, acesse o blog de viagens da Lud, com certeza você terá informações de tudo que precisa para sua viagem. E boa sorte!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Diário de bordo - Cuba - Dias 06, 07 e 08

          Chegou, enfim, nosso dia de ir para Varadero. Já estávamos tão exaustos de andar pra lá e pra cá, que a única coisa que a gente conseguia pensar era no nosso resort all inclusive na beira da praia. Reservamos um carro na pousada e aí já começou a confusão do dia. O carro demorou mais de uma hora para nos buscar e quando chegou, não era exatamente o carro que tínhamos pedido. Conversamos com a dona da pousada, que explicou a situação, e concordamos em ir mesmo assim.
         
          O carro não era dos piores, mas também não era tão bom quanto o que nos levou a Santa Clara. Prova disso é que na metade do caminho o carro ferveu e teve um problema na roda. Ficamos os três sentados na beira da estrada em um ponto que parecia uma parada turística aguardando o motorista resolver o problema.

          Depois de um longo inverno, chegamos em Varadero, no que pensamos que fosse nosso hotel. Despachamos o taxi e fomos na recepção fazer o check in. Muito animados com a piscina fantástica e a beleza do lugar, imagina qual não foi nossa cara quando descobrimos que existia um outro hotel da mesma rede em Varadero e que era lá que havíamos feito a reserva. 

       Contratamos outro taxista para que nos levasse ao hotel certo e, infelizmente, o verdadeiro não era tão bom quanto à primeira opção. As instalações externas eram bem boas, havia  um open bar 24 horas à disposição do hóspede, um espaço com palco reservado para shows noturnos, uma piscina e saída direta para a praia. 

         
            Reservamos um quarto triplo e eles nos deram um quarto duplo. Depois de muito brigar em português, inglês e portunhol, o tio da recepção informou que poderia trocar os quartos apenas meio-dia do dia seguinte. Decidimos afogar as mágoas no open bar e ficamos boa parte da noite ali: eu nos mojitos, Lud e Ricardo na Cuba Libre. Os três degustando os charutos maravilhosos. Nesta noite, teve ainda um show com dançarinos incorporando hits como Dirty Dancing e nós fomos ao delírio.

         O hotel tinha um restaurante que ficava aberto 24 horas, onde eram servidas as refeições principais: café-da-manhã, almoço e jantar. Além dele, mais dois restaurantes temáticos, comida italiana e mexicana, estavam à disposição para reservas dos hóspedes. Infelizmente, as datas disponíveis não nos permitiram apreciar as duas cozinhas, o que considero uma pena, porque o restaurante principal não deu conta de ser diversificado o suficiente e ficamos bem enjoados da comida de lá.

          No caminho até a praia, havia ainda uma lanchonete, mas que funcionava apenas em horários muito restritos. Já na areia da praia, podíamos escolher uma deliciosa espreguiçadeira na sombra e beber à vontade, enquanto admirávamos a paisagem e mergulhávamos no mar do Caribe.

          Depois de 3 dias de puro descanso, contratamos um taxi no próprio hotel que nos levou de volta à Casa de Miriam, em Havana. Foi uma delícia em Varadero, super valeu a ida, mas como estávamos muito cansados já de Havana, ficamos de molho no hotel, sem aproveitar muito o resto da cidade. Tive até vontade de ir conhecer o aquário e nadar com os golfinhos, mas era algo em torno de 90 dólares e não achei que fosse valer tanto a pena assim.
         
          

Diário de bordo - Cuba - Dia 05

          Já estávamos curiosos para saber como funcionava o ônibus turístico que fazia um grande caminho por Havana e hoje, como estávamos com o dia mais tranquilo, resolvemos pegar o Hop On Hop Off. O esquema é bem interessante. Em vários pontos turísticos existe um ponto de Hop On Hop Off e você paga a passagem por um dia inteiro, podendo subir e descer quantas vezes quiser. O Hop On Hop Off de Cuba é um dos mais baratos que vi, custando em 2012 algo em torno de 5 dólares.


          Nossa primeira parada foi na Plaza de la Revolucion, onde existe o famoso busto do Che no prédio do Ministério do Interior, onde Che Guevara chegou a ter um escritório e trabalhar. A praça também é conhecida por ser o local onde Fidel Castro fazia seus longos discursos para a população. Estava um dia bem ensolarado e não existem muitas opções de sombra nem onde pudéssemos comprar uma bebida para nos refrescar. Andamos até o prédio da biblioteca e decidimos partir.

          Como vimos pelo mapa que o estádio nacional de beisebol ficava próximo à Praça, caminhamos até lá, em busca de uma loja que tivesse uma blusa oficial do time cubano. Andamos muito, era super longe da Praça e estava tudo fechado. Continuamos nosso caminho e fomos até o bairro dos universitários e almoçamos em um lugar bem interessante, que parecia um bangalô aberto.


          E caminhando e cantando e seguindo a canção chegamos até o bairro La Rampa, famosos por abrigar a sorveteria mais famosa de Cuba, a sorveteria Coppelia. É muito interessante ver como os cubanos vivem. Quando chegamos no quarteirão da sorveteria, vimos uma fila enorme, deviam ter umas 100 pessoas para entrar na sorveteria. Ao mesmo tempo, vimos que do outro lado, uma entrada não tinha ninguém e as pessoas circulavam livremente por lá. Descobrimos então que a fila era para atendimento apenas aos cubanos, que pagam um preço bem pequeno para poderem degustar do sorvete. Sinceramente, o sorvete não é lá essas coisas, mas vale pelo ponto turístico e para conhecer uma área de Havana diferente de Havana Velha. 

Vista da Fortaleza de San Carlos
         Embarcamos novamente no Hop On Hop Off e descemos em um ponto bem perto da pousada. À noite, pegamos um taxi para ir até a Fortaleza de San Carlos assistir a Cerimônia do Canhonaço, uma cerimônia que remonta a época em que tiros de canhões eram dados para avisar a população que a cidade de Havana estava em tempos de paz. A cerimônia é bem bonita e com a compra do ingresso, você ganha uma bebida para ser consumida no local. O passeio pela Fortaleza é lindo e deve ser feito ao pôr-do-sol, onde você pode admirar as cores do céu misturadas com as cores do mar. Na entrada da Fortaleza, existe uma feira de artesanato bem legal, com bastante variedade e os preços pareciam ser normais. Aproveite para comprar mais alguns suvenirs da viagem.


Diário de bordo - Cuba - Dia 04




Piscina do Hotel Nacional
          Após passarmos o dia anterior todo fora, decidimos aproveitar Havana novamente. Por termos trocado apenas metade do dinheiro no aeroporto, precisávamos trocar nossas "moedas verdes" novamente para seguirmos viagem. Pegamos um taxi na rua, em frente à Pousada e fomos em direção ao Hotel Nacional. Em Havana, não existem muitas opções para a troca do câmbio. A ida ao Hotel Nacional já vale pela visita. O hotel é muito lindo, bem estruturado, com uma área com piscina com vista para o Malecón.

          Nos corredores do hotel existe uma parede com fotos autografadas de vários famosos que se hospedaram lá, incluindo da atriz Glória Pires, que fez um sucesso absurdo na época da exibição da novela Vale Tudo. Nos jardins, próximo ao salão principal, um anúncio sobre uma apresentação do grupo Buena Vista Social Club que encheu nossos olhos de esperança, mas que infelizmente era caro demais para alegrar nossos corações.

          Com mais uma manhã livre, fomos em direção a Havana Velha e caminhamos até chegarmos na região que concentra os principais museus. Passamos pelo Museu de Belas Artes, que tem uma estrutura muito bonita. Não entramos por opção, mas pudemos admirar o primeiro pavimento do prédio gratuitamente. 

Área interna do Museu de Belas Artes
          A visita ao Museu da Revolução é um caso à parte. Que lugar incrível. Paga-se um ingresso para visitar diferentes instalações, como o antigo Palácio do Governo, bombardeado na época da Revolução, as viaturas utilizadas pelas Forças Armadas e o barco em que Fidel Castro chegou após sua estadia no México. Tudo muito organizado, com muito material para ser visto e placas de identificação explicativas para os visitantes. Realmente fantástico.

Placa do Museu da Revolução

          Voltamos para almoçar no restaurante Los Nardos, mas dessa vez, devido ao adiantar da hora, enfrentamos uma pequena fila e aguardamos aproximadamente uma hora até conseguirmos entrar, mas o lugar vale cada sacrifício. Ficamos em uma mesa apertada, mas que ficava em frente a um aquário. E o atendimento e a comida continuaram excelentes.

          Para desgastar as calorias adquiridas no almoço, caminhamos por toda Havana Velha até chegarmos do outro lado dela, um lugar preservado e com cara de ponto turístico. Na caminhada de volta, paramos na Plaza de Armas, um local onde existem vários ambulantes vendendo livros usados, inclusive livros bem específicos sobre a História de Cuba. Ricardo conseguiu alguns volumes bem interessantes e por preços bons. Sentamos em um bar e bebi um Mojito maravilhoso, acompanhado de algumas cigarrilhas.

          Nas proximidades do bar, um grupo de músicos tocava canções típicas e animavam o ambiente. Pedi que tocassem La Barca do Luis Miguel, e sinceramente, para mim foi o ponto alto da viagem. Fiquei tão feliz em poder ouvir uma de minhas músicas favoritas naquele lugar incrível, durante aquela viagem maravilhosa, que não tenho palavras para descrever a experiência. Dei alguns trocados aos músicos e voltamos calmamente para a pousada, curtindo a brisa da tarde quente que se ia... 

         

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Diário de bordo - Cuba - Dia 03

          Acordamos lindos, leves e loiros e partimos para a cidade de Santa Clara, onde fica o Mausoléu do Che Guevara e o trem que eles tombaram durante a Revolução. Reservamos um carro com motorista direto na Casa de Miriam  e a viagem foi ótima. Lembrando da máxima de Cuba, o motorista perguntou se poderia dar uma carona para uma amiga e concordamos sem problemas. O carro era extremamente confortável, novo, com ar condicionado e acho que tinha até câmbio automático. 

          Fizemos uma parada no meio do caminho, num posto de gasolina. Parecia um lugar específico  para turistas. De um lado tinha um feirinha bem pequena de artesanato, no meio tinha um minimarket com suvenirs que ainda não havíamos encontrado em nossas andanças e um restaurante bem razoável para quem queria comer um sanduíche ou até uma refeição. Como ainda tínhamos muito o que percorrer, deixamos para comer na volta.

Chegada ao Mausoléu
          Aproximadamente após duas horas de viagem, chegamos ao Mausoléu. Um lugar maravilhoso, bem cuidado e com muita preocupação com os turistas. Na primeira parte do Mausoléu, visitamos toda a parte externa e ficamos bem  vontade para tirarmos fotos. Tem um jardim e um memorial para todos os membros que participaram da Revolução. Na parte interna, uma curiosidade. Para todos os turistas que entravam, os guias perguntavam se existia um americano no grupo. A parte interna também é bem linda e tem um guia acompanhando o grupo e contando a História da Revolução.



          Ficamos umas duas horas fazendo a visita e depois seguimos para os vagões de trem que foram derrubados durante a  invasão de Che e sua turma. Confesso que o passeio é um pouco decepcionante, não tem muita coisa pra ver e se você nao conhece a fundo a História da Revolução, fica totalmente perdido, mas acho que mesmo assim super vale a pena a visita. Nunca se sabe quando você vai visitar Cuba novamente...


          Já era hora do almoço e voltamos à parada no meio do caminho para comermos antes de voltar. Comida simples e gostosa. É bom lembrar que boa parte da carne consumida em Cuba é de procedência brasileira, como o frango e a salsicha, então dá pra comer sem crise, numa boa. Não sei se já falei também, mas essa história de não ter Coca-Cola na ilha não é verdade. Em todos os lugares que fomos, tinha Coca-Cola no cardápio. Você pode se aventurar e experimentar os refrigerantes cubanos, como a TuCola e o refrigerante de limão, que são bem saborosos. 

          Continuamos a viagem e chegamos quase à noite na pousada, arrasados de tanto andar pra lá e pra cá. Tomamos um banho, descansamos e jantamos na pousada mesmo. Eu comi o que havia sobrado do jantar chinês do dia anterior e a Lud e o Ricardo comeram a comida da pousada mesmo. Gentilmente, o dono da pousada me serviu sobremesa e uma dose de rum de aperitivo, mesmo eu não consumindo a comida deles. Ficamos um tempo ainda pela sala, fumando uns charutos, falando sobre a vida e observando a vida que ia lá fora...