segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Resumo da vida

Resumo do que é estar resfriada durante uma crise de coluna: um espirro, uma pinçada no ciático...

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Mindfulness

             
              Uma vez eu fui num tarólogo que me disse que se eu tivesse investido nessa coisa de escrever no passado, eu teria sido muito feliz. Na verdade, nunca acreditei nessa coisa de escrever. nem de ser feliz. Não me lembro da última vez que eu não me preocupei se estava feliz, realizada, se a saúde estava bem, se o saldo bancário estava ok. Não me lembro da última vez que tive paz. 

               Agora estou tentando entender essa coisa de mindfulness, de atenção plena, de acertar as contas com o passado. Isso seria a glória. Centrar-se no presente, meditar. Não sei se essa galera tá entendendo que nem respirar direito eu consigo. Até pra puxar todo o ar e encher o peito e ir soltando aos poucos eu preciso de toda concentração do mundo. Não dá pra respirar ouvindo podcast sobre a crise na Coreia do Norte, sobre cinema, sobre a cotação do dólar. Respirar pensando no ex, na última foda com o ex, na última babaquice do ex, na última babaquice do último babaca que você teve que aturar na sua cama, às 4 da manhã. Mindfulness. 

              Nem na Yoga ainda eu tive coragem de ir, muito medo de pagar mico. Fui fazer uma saudação ao sol na varanda e quase enfartei tentando: olhar para o video das posições no IPad, fazer as posições, lembrar de respirar and ter a flexibilidade e  preparo físico para saudar o sol. Isso 6 da manhã. Mindfulness, how?!  Esse lance de conscientizar sobre o presente, as sensações, é bem interessante. Confesso que vai ser um exercício de paciência federal. Se eu conseguisse pelo menos ler os 3 parágrafos do site que fala sobre mindfulness, já teria ganho a primeira batalha. Telefone que toca, email que chega, alguém que fala, cachorro que late, elevador que chega fazendo barulho na máquina que é colada no meu apartamento, mensagem que chega. 03 parágrafos e eu ainda não entendi como funciona isso além de focar a atenção no presente. Mindfulness. 

               Tem que esvaziar a mente que nem quando se medita, Manuela. Gente, mas como se medita? Tem uma regra? Tem uma coisa que facilite essa coisa de esvaziar a mente? Coméqui faz? Tem como esvaziar a mente sem lembrar do mau atendimento da fisioterapia semanal da clínica onde aceitam o plano de saúde? Da amiga que mora longe e você não sabe quando vai encontrar de novo? Da amiga que mora perto, mas mesmo assim não consegue casar um dia de agendas livres para fazer alguma coisa juntas? Ou meditar é exatamente isso? Sair de toda questão que envolve as sensações do presente e levar a mente para algum lugar que a gente não consegue alcançar esticando o braço? Difícil. Difícil acabar o texto com uma mensagem positiva. Acho que vou apenas pegar o saco de acentuações da Língua Portuguesa e colocar um ponto final. Simples assim. Como deve ser para ser feliz.

domingo, 26 de março de 2017

Dia após dias

     Passo os dias deitada, lendo meu livro da Rita Lee e buscando coisas aleatórias na tv para assistir e ocupar meu tempo. Ignoro as mensagens das pessoas importantes da minha vida, esperando as suas, em vão. 

     Tento explicar às meninas que você não quer só me comer, mostro diálogos fúteis na mesa de bar para que alguém me dê um diagnóstico plausível sobre essa nossa situação e nada.

    Não penso em nada. Não quero nada. Não sinto nada. Sou neutra como o bife temperado com Fondor em pó antes de ir para a grelha, enquanto você só me cozinha...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Diário de bordo - França - Dia 04

          Descansadas dos dias anteriores (rs), acordamos para mais um dia de bateção de pernas. Após um delicioso café da manhã tipicamente francês preparado pelo Laurent, com café e croissant, seguimos para o litoral, na região de Guérande. Como era feriado, o lugar estava bem cheio. Apesar do vento frio, muitos se arriscavam nas margens no mar fazendo suas pescarias e pegando mariscos mais na borda da praia. O lugar é muito bonito. Bem na entrada tem uma marina com barcos muito bonitos e muito comércio.
     
Igreja na cidade medieval
        

   Depois de fazermos um longo passeio,paramos para almoçar num restaurante especializado em crepes. Como entrada, Laurent pediu uma porção de Moules Frites para experimentarmos. É um prato feito de mariscos cozidos em um molho feito com vinho branco, acompanhado por batatas fritas. Delicioso demais!!! Pedimos também uma garrafa de Sidra para acompanhar, e você pode não acreditar, mas Sidra na França é chiquérrimo (trouxe inclusive uma garrafa de presente pra minha tia!). Tudo muito gostoso, um clima maravilhoso no restaurante, uma vista pra praia incrível. Mas toca pro próximo ponto que isso aqui é férias!


Esculturas de chocolate da cidade medieval
      
      Em todo caminho, passamos por regiões de produção de Flor de Sal, típico do lugar. Chegamos até uma cidade medieval incrível que fica na região de Bretanha. Muitas opções para ver, comer e comprar. É um lugar turístico, mas é formidável imaginar que aquilo já foi realmente uma cidade medieval onde moravam pessoas. Comprei um potinho com meu nome, dois pacotinhos de flor de sal para dar de presente, um dedal para minha vó e uma canequinha pra uma sobrinha postiça que ganhei de presente este ano.

        

          Na volta para casa, paramos ainda no supermercado. Que também era incrível! Um hipermercado com mil e uma opções de tudo quanto era produto e algumas lojas que ficavam ao redor. Laurent preparou nosso jantar, um prato de vieiras grelhadas que estava simplesmente divino. Como se come bem nesse lugar, meu Deus!! De entrada, a Karla ainda preparou um coquetel de camarão com molho curry (que eu fico aguando até hoje só de lembrar) e uma salada caprese. Ficamos de papo em casa, rindo e bebendo aquele vinho rosé da casa e me preparei para ir dormir, porque no dia seguinte ia me despedir no primeiro trem que partia antes das 06:00, de volta para Paris.



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Convidada Especial - Diana Freitas



          Pessoal, dessa vez consegui convencê-la a pelo menos escrever um texto para meu blog contando alguma coisa bem bacana sobre a França. Com vocês, minha amiga, irmã, ombro amigo e o que mais vier para agregar: Diana Freitas! (o texto sofreu pequenas alterações para adaptação ao blog. Para ler o texto na íntegra, encham o saco para ela reativar o blog dela de novo!)


           "Como todos sabem, a França é um país conhecido essencialmente pela sua cultura, moda, culinária e monumentos. E o que falar dos monumentos? Entre os inúmeros que podemos encontrar por aqui, destaca-se uma quantidade incontável dos mais incríveis castelos (os châteaux).
           Eu moro na França há 6 anos, e neste tempo tive a oportunidade de visitar alguns dos mais belos castelos franceses. Como arquiteta, e curiosa, adoro investigar o que está por trás das estruturas e principalmente das histórias que testemunharam a construção e consolidação do que foi um dia um grande império. E uma das histórias que mais me chamou atenção foi a do Château de Vaux-le-Vicomte.
Château de Vaux-le-Vicomte
           O domínio onde se situa esse castelo foi comprado por Nicolas Fouquet, superintendente de finanças de Louis XIV em 1641, mas a inauguração do castelo só ocorreu em 1661, quando Fouquet recebeu o Rei e toda a corte francesa numa gigantesca festa que bombou para 3 mil convidados. Dizem as más línguas que foi nessa festa que o Rei, invejando o deslumbre daquele castelo divino, mandou prender o tal superintendente. Imagina se alguém poderia ousar construir um castelo mais bonito e suntuoso que o seu?! Mas segundo fontes mais oficiais, a decisão já teria sido tomada 4 meses antes (hum, sei...), pois o Rei suspeitava que Fouquet andava passando a mão no orçamento real (e inclusive em alguns livros da realeza: algo como 11 milhões!), o que teria sido apenas confirmado naquela ocasião. A mãe do Rei, muito nobre e educada (ela era de origem espanhola e não francesa), teria declarado que não era honroso para um rei de mandar prender a pessoa que o recebe como convidado.
           O coitado do Fouquet foi então preso cerca de 15 dias depois da tal festa e, após um processo que durou 3 anos, foi condenado e passou os 15 últimos anos da sua vida na prisão (reza a lenda que ele ficou encarcerado no mesmo local e época que o “Homem da Máscara de Ferro”).
Palácio de Versailles
           O Rei Sol ordena então aos mesmos arquitetos e artistas que trabalharam na execução do Vaux-le-Vicomte que lhe fizessem um castelo ainda maior, mais lindo e mais porpurinado que aquele outro das inimigas (assim ele podia se livrar do velho Château de Saint- Germain-en-Laye, onde ele nasceu e viveu durante sua juventude, e o qual ele achava feio, bobo, chato e frio)! E voilà, assim nasceu o Château de Versailles.
        



Château de Saint-Germain-en-Laye
        E eu não canso de repetir, para o maior desespero deste Rei avarento que a cada vez deve se revirar no seu caixão, que se as pessoas (turistas ou até mesmo os franceses) tiverem a oportunidade, devem ir conhecer o Château de Vaux-le-Vicomte, pois ele é ainda mais belo que o de Versailles, e a sua beleza pode ser contemplada a uma escala muito mais humana."

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Diário de bordo - França - Dia 03

Nós em Trocadero
          Mesmo exaustas, acordamos cedo para aproveitar as últimas horinhas juntas. Primeira parada: Trocadero. Neste local, pode-se ver perfeitamente a Torre Eiffel e tirar muitas fotos. É um ponto turístico bem cheio e bem lindo. Descemos pelo jardim e pegamos o ônibus com o mesmo tíquete do metrô. Voltamos para o bairro de Montparnasse onde fica a estação de trem que pegaríamos para ir para a casa da Karla. 
   
A caminho de Saint Nazaire, dentro do trem
        

  

          Almoçamos em um restaurante que era uma graça, uma rede chamada Hipopotamus com um menu bem saboroso. Comi um filé delicioso e de sobremesa uma mousse de chocolate divina. Como o serviço atrasou um pouquinho, saímos correndo as 3 para dar tempo de pegar o trem. Conseguimos entrar e por incrível que pareça, nosso vagão era o último. Ou seja, na adrenalina, fomos entrando de vagão em vagão, passando por dentro de alguns, até chegarmos no nosso lugar. O trem era bem legal e foi bem vazio. Como estávamos exaustas, dormimos a maior parte do tempo, mas mesmo assim, ainda consegui acompanhar um pouco a passagem por algumas cidades no meio do caminho e garanto: tudo muito lindo. Uma chuvinha aqui e ali e chegamos enfim a Saint Nazaire.

Rua da casa do Laurent e da Karla
          Laurent já estava esperando a gente na estação e nos levou até a casa deles. A cidade onde eles moram é muito linda também, muito tranquila, parece coisa de filme. Umas casinhas, pouco carro na rua e um tal de um avião de carga que transporta as peças de montagem da Airbus. A cidade é basicamente industrial (me desculpem se houver algum equívoco de informação) e muito bem estruturada. Fomos de carro até Nantes, onde parece que tem uma vida comercial mais agitada. Passeamos por uma região que tinha umas esculturas feitas com reciclagem que eram a coisa mais linda do mundo. Um carrossel e um elefante que funcionam e carregavam crianças para um breve passeio. Jantamos em um japonês sensacional, na beira de um rio, com um visual incrível, em comemoração ao emprego novo do Laurent. Caminhamos até um cais à beira desse rio e chegamos onde havia vários bares, que estavam cheio de gente. Sentamos em um com temática cubana e tomamos um drink. Voltamos pra casa e ficamos de bobeira batendo papo e matando as saudades. Bebemos vinho.




terça-feira, 11 de novembro de 2014

Diário de bordo - França - Dia 02

Nossa primeira foto de muitas
          Acordamos cedinho, afinal de contas estávamos em Maisons Laffitte e o trem da Karla chegava antes das 9:00 em Montparnasse e demoraríamos um pouquinho ainda para encontrá-la. Como nem só de pão vive o homem e não seria a gente se não tivesse um pouco de adrenalina, Diana tinha um compromisso e não poderia me levar até onde a Karla estaria me esperando. Como só as duas estavam com celular, ficou combinado para mim que eu esperaria a Karla em frente a Starbucks da estação e para a Karla ficou combinado que eu estaria esperando ela no Quick da estação. E foi aí que deu-se a celeuma. Por algum motivo as mensagens que definiriam um único ponto de encontro para as duas não chegaram a tempo no celular. 

          Para mim, uma emoção a parte, já que eu estaria sozinha, eu e Deus, tentando chegar até a Karla. Soma-se tudo isso a língua francesa, a qual eu não domino. No meio do caminho, ainda no metrô, passamos em frente a Torre Eiffel. Foi muito emocionante quando a vi pela primeira vez. A certeza que eu estava realmente na França.
         
Nosso almoço no indiano
          Cheguei enfim a Montparnasse e desci na estação. Andei um pouquinho e cheguei até a Starbucks. Outra emoção. Cheguei na Starbucks sozinha, sozinha, não precisei perguntar pra ninguém! Nada da Karla. Pensei: o trem deve ter atrasado, vou ficar quietinha aqui esperando. 10 minutos. Nada da Karla. Resolvi sentar e esperar. Abri o mapa da cidade. Refiz todo o caminho no mapa, caso precisasse voltar pra casa da Diana sem ter encontrado ela e a Karla. Sou neurótica, eu sei, mas já estava me precavendo. 20 minutos, nada da Karla. Pensei: gente, deve ter outro Starbucks nessa estação gigante, vou dar uma volta para dar uma olhada. Ao mesmo tempo pensei: se eu saio daqui e ela aparece e depois vai me caçar em algum lugar, ferrou. Dei uma volta e subi um andar de escada rolante. Uma Fnac. Nada de Karla e internet móvel. Voltei para a Starbucks. Sentei. As pessoas começaram a olhar pra mim estranhamente. Quando começou um vai e vem de gente do Exército na estação, comecei a ficar um pouco apreensiva. Pensei: daqui a pouco esse pessoal da Starbucks vai mandar me investigar. 30 minutos e nada de Karla.

          Subi novamente. "Não é possível! Tem outro Starbucks nessa caceta!". Ao mesmo tempo, tá ela lá no tal do Quick me xingando horrores. Nada de Karla de novo. Voltei para o Starbucks e pensei: cara, ela veio aqui nesse meio tempo, não me viu e saiu pra me caçar. Sou neurótica, principalmente quando estou nessas aventuras. Fiquei mais uns 10 minutos e resolvi explorar o local. Além do primeiro andar, subi mais um e vi quem de costas?! Saí correndo e gritando "Piri" (apelido carinhoso entre a gente). E foi aquela confusão, aquele abraço apertado, aquilo tudo que vocês já devem imaginar.

Nossa bateção de perna
          Saímos da estação e fomos dar uma volta na rua. Fomos até a Galerie Lafayette que fica ali perto e demos uma volta. Fomos até a Zara um pouco mais adiante. Depois demos uma volta na rua até o final e voltamos para encontrar a Diana. Almoçamos num restaurante indiano maravilhoso, onde o menu custava 10 euros (barato para os padrões locais). Depois fomos até a igreja de Notre Dame fazer uma visita. Eu e Diana entramos. Karla, que já está até o topo de ver igreja pelo mundo, preferiu aguardar do lado de fora, fazendo amizade com os locais. Andamos, andamos e andamos. Passamos pelo Sena, paramos para tomar um café em frente ao Centro Georges Pompidou e seguir em frente. 

         


        Seguimos até a Champs-Elysées e chegamos ao Arco do Triunfo. Fizemos a limpa na Sephora de lá e passeamos mais um bocado. Voltando, paramos em um restaurante francês incrível para jantar e eu experimentei escargô. Achei bem bom. De prato principal, pedi um steak tartare que estava divino. Tudo muito bem acompanhado de um bom vinho. Rosé, provavelmente. Se engana quem tem a ideia de que na França as pessoas comem pouco. Durante todos os meus dias, saí dos lugares passando mal de tanto comer. Depois da bateção de pernas, voltamos para a casa de Dianão nos preparar para o dia seguinte, quando eu e Karla partiríamos para Saint Nazaire, onde fica a casa da Karla e do Laurent.




Fachada da Notre Dame